Um pouco da história do Aroma Flor

Na nossa família sempre existiu uma tradição muito forte de cultivo das plantas, cresci sendo alimentada pelo que era plantado no nosso quintal. Meus pais e meus avós cultivavam flores no jardim e plantas medicinais no horto. Em 1985, 2 anos após o início do Movimento de Mulheres Camponesas, comecei a participar dos encontros, cursos de formações e mobilizações pelos nossos direitos. O foco do MMC sempre foi pelos direitos das mulheres, pelas suas causas e lutas de uma forma geral. Seguindo nessa luta a partir do ano 2000 o movimento começou a intensificar a questão da agroecologia, da construção dos hortos medicinais e a recuperação das sementes crioulas. Foi aí onde comecei a compreender  meu espaço e missão no MMC, comecei a me envolver cada vez mais com o horto, plantas medicinais e sementes, porque eu sentia a necessidade da preservação e cuidado com a natureza, e eu entendia que as plantas são a maior arma das mulheres. Um pouco mais tarde foi se formando outros grupos de outras comunidades, a rede ia se tornando cada vez mais forte. Na minha unidade de produção em Palmitos, na Linha Santa Terezinha, já realizávamos o cultivo de frutas, verduras, flores e plantas medicinais. A partir das formações, cursos, conversas, palestras e dos coletivos envolvidos na questão de plantas e sementes, naturalmente a minha unidade de produção começou a ter como foco o universo das plantas medicinais. Construímos uma estufa, desenhamos os hortos em círculos, começamos a manejar o horto da forma ensinada pelo movimento da agroecologia, iniciamos o cultivo de mudas focalizando a autonomia das mulheres, começamos a fortalecer o artesanato, entre outros. Nossa unidade de produção não faz parte da rede de integração de leite, aviários, suínos e outros, pois acreditamos e lutamos por outros valores. Praticamos e ensinamos o cuidado com as pessoas, o cuidado com a terra e o cuidado com os animais.

Edel Schneider

Conheça mais sobre o Movimento de Mulheres Camponesas.

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